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O autor Javier Marías reflete personalidade original

31 de janeiro de 2009
2 min de leitura

Javier Marías – um dos mais importantes nomes da ficção europeia contemporânea – não escreve no computador, não tem e-mail nem celular. Pode parecer pose desse espanhol nascido em 1951, que se autointitula rei de Redonda, uma minúscula ilha antilhana habitada por alcatrazes, e que, nas fotografias que lhe tiram, quase sempre aparece com um cigarro aceso e politicamente incorreto seguro na mão esquerda. Na verdade, o apego a uma velha máquina de escrever eletrônica Olympia, modelo de luxo, é mais um traço de uma personalidade original, que se reflete numa literatura diferente de tudo o que se faz hoje. “Gosto de escrever no papel. Enquanto me permitirem, vou continuar batucando em velhas máquinas e corrigindo à mão”, explica Marías no fax – como de outra maneira? – enviado ao Ideias, com suas respostas datilografadas – onde mais? – na folha em branco. O escritor chega ao ponto mais alto da sua trajetória, até o momento, com a publicação, em três volumes, de Seu rosto amanhã, projeto que lhe consumiu nove anos e que soma mais de 1.600 páginas impressas. O terceiro volume, Veneno y sombra y adiós, saiu em outubro de 2007, e tem tradução prevista para 2010, pela Companhia das Letras, que publicou os dois anteriores, Febre e lança e Dança e sonho.

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