Ana Paula Maia escreve novelas
Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos (Record, 160 pp., R$ 29), de Ana Paula Maia, reúne duas novelas povoadas por seres humanos simples e, portanto, reduzidos a sua essencialidade: trabalhar, comer, beber, jogar, fazer sexo e matar. É um mundo de pobreza extrema, em todos os sentidos. Desprovidas de quaisquer transcendências, as personagens sobrevivem dia após dia após dia como se não houvesse mais nada. E parece mesmo que não há. Na novela que dá título ao livro, na qual o leitor se move entre rinhas de cachorros e porcos e seres humanos abatidos, Edgar Wilson é um desses personagens-esfinge, alguém que não faria feio em um romance de David Goodis. Ele vai de chiqueiro (humano ou não) em chiqueiro fazendo os seus trabalhos. Suas funções compreendem desde o básico (transportar e abater porcos) até o, digamos, complexo (auxiliar um amigo, Gerson, a recuperar um rim que doara para uma irmã ingrata, ou tomar parte de um falso sequestro que termina de maneira tragicômica).
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta
