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O silêncio como território de revelação nos contos de Bruno Inácio

24 de novembro de 2025
2 min de leitura
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Ao reunir histórias que se equilibram entre o íntimo e o universal em 'De repente nenhum som', Bruno Inácio reafirma que, às vezes, o que não se diz tem mais peso do que qualquer frase inteira. Leia a coluna!

Em De repente nenhum som (Sabiá Livros), Bruno Inácio volta o olhar para um território que costuma ser evitado: o silêncio que se instala entre pessoas que se amam, convivem, se ferem, se reconhecem e, sobretudo, falham em se comunicar. Ao longo de doze contos, o autor explora esse intervalo quase imperceptível, o momento em que a palavra falta, o gesto falha e o afeto hesita, revelando como o cotidiano familiar é atravessado por ruídos invisíveis.

A força do livro não está apenas no tema, mas no modo como o autor constrói atmosferas que desafiam o óbvio. Seus contos curtos não se apressam; eles deixam espaço para o leitor ouvir o que não é dito. É nesse intervalo que surgem tensões antigas, rachaduras afetivas e pequenos desvios que, juntos, compõem um mosaico de relações em desequilíbrio. A escrita é concisa, precisa, e cada texto parece operar como uma espécie de câmara de ressonância, ampliando silêncios que o olhar distraído não perceberia.

O reconhecimento crítico não veio por acaso. Escolhido como uma das melhores obras literárias brasileiras de 2024 por revistas como Úrsula e Variações, e saudado por nomes como Monique Malcher, Marcela Dantés, Lilia Guerra, Carlos Eduardo Pereira, Jacques Fux e Ronaldo Cagiano, o livro confirma a sensibilidade literária de Bruno Inácio. A recepção calorosa em veículos como O Globo, Cult, Rascunho, Bravo! e Le Monde Diplomatique reforça a maturidade e o alcance do projeto narrativo.

O que impressiona, ao final, é como esses contos conseguem ser delicados sem serem frágeis. De repente nenhum som é um livro que entende a família como espaço de criação e de conflito, e o silêncio como matéria narrativa potente, aquilo que separa e, paradoxalmente, aproxima.

Ao reunir histórias que se equilibram entre o íntimo e o universal, Bruno Inácio reafirma que, às vezes, o que não se diz tem mais peso do que qualquer frase inteira.

Indicação de livro:

De repente nenhum som, de Bruno Inácio

Editora: Sabiá Livros

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Vanessa Passos
Vanessa Passos

Vanessa Passos é escritora, roteirista, professora de escrita criativa, doutora em Literatura (UFC) e pós-doutora em Escrita Criativa (PUCRS), sob orientação de Luiz Antonio de Ass...

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