A vida que se escreve
O teórico francês Philippe Lejeune fala sobre a associação criada para ler e comentar autobiografias de gente comum
Com seus 13 mil e poucos habitantes, a pequena cidade francesa de Amberieu-en-Bugey faz o que pode para animar esses dias de outono europeu. “Commerces en fête!”, exclama o site da prefeitura, anunciando para hoje um roteiro de oficinas das quais fazem parte cursos de bijuteria com Caroline, costura com Gwendoline e temperos com um professor não identificado. Para a próxima sexta-feira, porém, está prevista uma atividade que destoa da relação de lazeres triviais dos amberroenses. Organizado por pesquisadores conhecidos mundialmente, o encontro “Escrever sua vida” faz parte do calendário da Associação pela Autobiografia e pela Preservação do Patrimônio Autobiográfico (APA), uma instituição fundada na cidade em 1992 com uma missão curiosa: receber, ler, comentar e preservar todo e qualquer escrito autobiográfico que lhe seja encaminhado. De textos empoeirados a diários adolescentes, qualquer narrativa onde o autor discorra sobre a própria vida encontra ali garantia de armazenamento e – mais importante – leitura.
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