Nova tecnologia vai demorar, mas será para ficar
Para o editor Roberto Feith, mesmo nos EUA os livros digitalizados não serão consumidos pela maioria
A questão do livro digital está presente em todas as conversas que antecedem a Feira de Frankfurt. Não há dúvida de que com a chegada de uma nova geração de dispositivos de leitura – Kindle, Sony Reader, iPhone etc. – bem mais eficazes do que os da primeira geração, as possibilidades do livro digital se multiplicaram. Por isso mesmo, a velocidade do crescimento do uso do livro digital depende precisamente da velocidade da adoção desses novos dispositivos pelos leitores. Temos de considerar não apenas a facilidade de uso dos novos dispositivos, mas questões como preço, escala de mercado, poder aquisitivo e hábitos de leitura de cada país. Existem diferenças importantes que vão impactar de maneira significativa a velocidade de adoção dos dispositivos de leitura em cada lugar. Mesmo nos países onde os novos dispositivos já estão sendo comercializados em escala industrial, como os Estados Unidos, se considerarmos o custo atual deles, a provável curva de preço nos próximos anos, a evolução tecnológica dos aparelhos e os hábitos de leitura dos consumidores, me parece discutível que a maioria dos leitores americanos os adote como opção preferencial até 2018.
*Roberto Feith é presidente da editora Objetiva e vice do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel).
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