Crescendo em meio às ruínas
Le Clézio se inspira na mãe em nova narrativa
De início parece ser a sua história que Jean-Marie Le Clézio vai narrar em Refrão da Fome (Cosac Naify, 248 pp., R$ 49 – Trad.: Leonardo Fróes). O autor começa e termina o romance com textos em primeira pessoa e diz: “Sei o que é fome, que eu já passei. Menino, no fim da guerra, sou um daqueles que correm pela estrada ao lado dos caminhões dos americanos”. Ao fim do texto ele já avisa que “na história que se lê a seguir é uma outra fome que estará em questão”. Mas não deixa de ser também a fome física uma das urgências que afligirão a personagem principal, Ethel Brun, mal saída da infância nas primeiras páginas da história e já na casa dos 20 anos no fim. Só no epílogo o autor revela que Ethel se inspira – mas não diz até onde – em sua mãe. Ambas assistiram à estreia do “Bolero” de Maurice Ravel e foram, segundo o autor, heroínas contra a vontade. Há outras marcas autobiográficas, como é comum na obra de Le Clézio.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta
