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Mário de Andrade contra os abóboras

24 de outubro de 2009
2 min de leitura

Mário Chamie acaba de lançar Paulicéia dilacerada

Mário de Andrade foi buscar em Sêneca o conceito satírico de abóbora, para classificar os políticos burocratas que, na onda vingativa do Estado Novo, o demitiram do Departamento de Cultura de São Paulo, nos anos 30, encerrando, numa penada, o seu projeto de política cultural, tão ambicioso que cabia nele a matriz de um plano urbanístico para a cidade. No recém-lançado Paulicéia dilacerada (Funpec, 224 pp., R$ 30), de Mário Chamie, os abóboras ganham nome e sobrenome de ex-prefeitos: Prestes Maia, Abrãao Ribeiro e Faria Lima. A famosa demissão – que motivou, entre outras coisas, a curta, mas intensa estada do escritor no Rio – é o ponto de partida no qual se apoia Mário Chamie para construir um livro de difícil classificação: é romance?, é ensaio?, é poesia?, é teatro?, é memória? – pode-se dizer que é tudo isso, inscrevendo-se na linha experimental. Mas é, sobretudo, na recriação do estilo epsitolar-desaforado do autor modernista que reside a maior qualidade da obra, escrita em desacordo com as novas regras ortográficas e na qual interfere um certo Máior Hacime, personagem anagramático.

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