Martírios pelas vacilações da fé
Em seu melhor romance, Relato de Prócula, W.J. Solha mistura religiosidade e prazeres da carne
No discurso da cerimônia de entrega do Prêmio Nobel de 2006, transcrito em A maleta do meu pai (Companhia das Letras), o escritor turco Orhan Pamuk (1952) afirmou que, na vida, como na literatura, o que sentia em relação ao seu lugar no mundo era que estava “fora do centro”. Quando jovem, imaginava que no centro do mundo havia mais vida e animação do que na Turquia. “Eu me sentia excluído.” Vários anos e livros depois – disse ainda -, descobriu que, ao contrário do que pensava na infância e na juventude, para ele o centro do mundo é Istambul. Autor de cerca de dez livros, a maioria de ficção, ele acaba de publicar o seu melhor romance, Relato de prócula (Girafa, 208 pp., R$ 38), em que retrata a geografia – humana, inclusive – que escolheu. Não por acaso, o tradutor, poeta e ensaísta Ivo Barroso, em depoimento recente sobre o gênero literário em que Relato se insere, apresentado aqui mesmo no Cultura, destacou “a força dramática e a imaginação criadora” da obra.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta
