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Obras abertas

30 de outubro de 2009
2 min de leitura

Escritores cedem ao impulso de retificar seus trabalhos e acabam por produzir novos

Considerar concluída uma obra é, para muitos artistas, mais difícil do que concebê-la ou executá-la. O pintor francês Pierre Bonnard (1867-1947) costumava driblar a vigilância dos locais onde suas pinturas eram expostas para retocá-las. Detido em flagrante, de pincel em punho em um museu, candidamente Bonnard explicou que tinha o direito de aprimorar o quadro – que pertencia à instituição havia mais de dez anos. Sem a mesma ousadia – ou excentricidade – de Bonnard, não são poucos os artistas que cedem ao impulso de retificar seus trabalhos. Para os escritores a oportunidade pode surgir a cada nova edição, levando, em alguns casos, à geração de novos livros que abordam o mesmo tema, complementando dados, no caso de não ficção, ou criando tramas a serem desenvolvidos em outros volumes. Em 1990, a francesa Marguerite Duras decidiu voltar a contar a história de seu primeiro amor ao saber da morte do ex-namorado. Seis anos antes, ela conquistara público e crítica com O Amante, narrado em primeira pessoa. Na segunda versão, O Amante da China do Norte, há um distanciamento maior dos personagens, por meio da narrativa em terceira pessoa. Já o jornalista Zuenir Ventura preferiu criar uma sequência para 1968 – O Ano Que não Acabou a atualizar o original, lançado há duas décadas. Cerca de dois meses depois do lançamento de 1808 (Planeta), em 2007, Laurentino Gomes começou a ser instado a condensar as 418 páginas para um volume que atraísse jovens leitores.

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