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Candidata à ABL foi mestra dos acadêmicos

30 de outubro de 2009
2 min de leitura

Com 65 anos de magistério, Cleonice Berardinelli deu aulas para os escritores

Seu português é tão perfeito que enquanto Cleonice Berardinelli narra histórias de seus 65 anos de magistério a impressão é que se está lendo um livro de Eça de Queirós. Nenhum pronome fora do lugar. Nada de gírias ou coloquialismos. A sintaxe é completamente aportuguesada. “Fala-se muito mal o português hoje em dia”, lamenta. Culpa das novelas, dos professores mal preparados nas escolas. “Até mesmo meus alunos cometem alguns erros que não me agradam nada. Eu sou uma espécie de terror. Mas sou amiga deles, concito a que falem”, brinca. A severidade na correção dos textos não afasta os alunos da pós-graduação da PUC e da UFRJ onde ela ainda dá aulas. Pelo contrário. Pelos seus cálculos já ensinou a mais de mil alunos. Aos 93 anos, Cleonice é a maior especialista brasileira em literatura portuguesa. Seu prestígio entre os acadêmicos é tanto que, no chá das quintas-feiras na casa fundada por Machado de Assis, o comentário é que a eleição, em dezembro, será uma aclamação. Por enquanto, seu único adversário é Ronaldo Costa Couto, ex- ministro de José Sarney. Campanha, ela não faz. “Entrar para a Academia Brasileira de Letras nunca foi uma ideia que me viesse. Não é nem por modéstia. É por falta de tempo”, diz. Mas achou uma honra fazer parte dos imortais e cedeu aos apelos de ex-alunos que já têm assento garantido na ABL. O primeiro a procurá-la foi Afonso Arinos de Mello Franco, seu aluno em 1948.

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