Ensaio analisa parentesco entre fascismo e comunismo
Jonah Goldberg diz que assalto à liberdade individual não começou no século 20
Em ciência política, existem dois tipos de livros que interessam: os originais e os importantes. Os originais alteram a nossa percepção do fenômeno político: O Príncipe, de Maquiavel, Leviatã, de Hobbes, e Sobre a liberdade, de Stuart Mill. Mas a ciência política não se limita a livros originais. Também existem livros importantes, que relembram verdades esquecidas, como Fascismo de esquerda: A história secreta do esquerdismo americano (Record, 546 pp., R$ 59,90 – Tradução: Maria Lucia de Oliveira). Nada do que Jonah Goldberg afirma é original. Mas tudo é importante. Quais as teses de Goldberg? A primeira relembra que o “fascismo” é um fenômeno de “esquerda”, e não de “direita”. O argumento, longe de polêmico, é cada vez mais consensual. Se “direita” e “esquerda” emergem na Revolução Francesa como conceitos espaciais e ideológicos, e se a Revolução Francesa deságua em Robespierre e no Terror, não é novidade que “fascismo” e “comunismo”, filhos bastardos de Rousseau e de Marx, são “religiões políticas” que se situam à esquerda.
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