Gótico de volta à origem
Mesa na Feira do Livro em homenagem aos 200 anos de nascimento de Edgar Allan Poe debateu onda de terror contemporâneo
Se Edgar Allan Poe fosse vivo, sentiria, no mínimo, surpresa ao ver o gênero consolidado por ele voltar aos parâmetros anteriores a sua obra. O precursor da narrativa de horror, que subverteu os moldes da literatura gótica e seu moralismo, talvez se divertisse com a nova vampiromania protagonizada por adolescentes virgens em histórias cheias de lições de moral e sempre atadas a um final feliz. Nesta terça-feira, numa mesa redonda dedicada aos 200 anos de Edgar Allan Poe e incluída na programação da Feira do Livro de Porto Alegre, quatro participantes discutiram a trajetória do escritor americano, suas narrativas e desdobramentos. Para José Francisco Botelho, mestre em Letras e jornalista, sem o novo parâmetro estabelecido por Poe, na primeira metade do século 19, ao quebrar o didatismo, o moralismo e a alegoria do gótico, não haveria o gênero que vemos agora. O físico e escritor Rafael Bán Jacobsen relaciona o surgimento da literatura gótica com a industrialização – “se a realidade é fria, é natural que se busque o oposto, algo na esfera do desconhecido” – com o atual terreno fértil para o florescimento da literatura de Crepúsculo com o boom tecnológico.
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