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Contradições paralisam a Europa

08 de novembro de 2009
2 min de leitura

Para romancista de Às cegas - livro que trata do fracasso das utopias -, continente enfatiza o indivíduo em vez da totalidade

A escrita do italiano Claudio Magris tem uma formação particular: a fronteira entre realidade e ficção nem sempre é visível. Autor e tradutor, Magris foi alçado à condição de arauto quando seu livro Danúbio, lançado em 1986, antecipou os problemas que logo surgiriam entre os povos habitantes das margens do rio que dá título à sua obra, o que ocorreu com as guerras na Bósnia e no Kosovo. Trieste sempre foi alvo de disputas políticas, por causa de sua privilegiada localização, perto do Mar Adriático. Tal trajetória inspirou Microcosmos (1997), livro em que Magris traça um retrato abrangente de sua cidade natal e das regiões vizinhas. A mesma perspectiva se faz presente no romance Às cegas (Companhia das Letras, 384 pp., R$ 59 – Trad.: Maurício Santana Dias). Aqui, Magris apresenta uma síntese de seu pensamento – fruto de uma longa gestação (18 anos), o livro acompanha a vida de Salvatore Cippico que, aos 80 anos e internado em um sanatório de doenças mentais, rememora sua existência, que atravessou os horrores do século 20.

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