Tramas moldaram o imaginário de várias gerações
Há muito fora de catálogo, exemplares não eram encontrados nem em sebos
Talvez seja preciso desistir da isenção jornalística e escrever na primeira pessoa, apaixonadamente. Há anos perseguia em sebos velhos exemplares das aventuras de Tarzan e Sandokan. Os próprios donos me desestimulavam. Nada mais raro do que encontrar colecionadores dispostos a abrir mão dos exemplares da lendária Coleção Terramarear, da Editora Melhoramentos. Aqueles livros moldaram meu imaginário, com os westerns no cinema. Não só o meu. Lêdo Ivo escreveu seu volume A ética da aventura pegando carona nas leituras de seus verdes anos. E me lembro de ter lido certa vez o que ele disse e me marcou – muita gente pensa que escritor é só Marcel Proust ou James Joyce, mas ele acreditava, como eu acredito, que o valor do escritor é dado pelo leitor. Emilio Salgari sempre foi importante para mim. Confesso que tomei um susto ao descobrir, nas chamadas de novos livros que o Cultura, do Estado, publica aos domingos, que os volumes que buscava em sebos estavam saindo novos em folha. Salgari! Sandokan! Para quando o Tarzan?
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