Pauliceia paranoica
Roberto Piva relança clássico e critica vida na metrópole
O poeta Roberto Piva e o artista plástico Wesley Duke Lee se conheceram através de um amigo em comum, no início dos anos 60, quando o primeiro tinha um maço de poemas inéditos embaixo do braço e o segundo voltava de uma temporada entre Estados Unidos e Europa atrás de um projeto ao qual se dedicar. Encantado com os versos de Piva, que transmitiam uma visão alucinatória de São Paulo numa mistura de surrealismo e beatniks, Duke Lee propôs ao amigo recém feito uma parceria. E lá se foram os dois pelas ruas da cidade a bordo de uma Romi-Isetta. O resultado foi o livro Paranoia, lançado em 1963, que, depois de anos relegado ao universo paralelo dos estoques de sebos, ganha agora uma nova edição (em 2005, já tinha sido incluído no primeiro volume das obras completas de Piva, Um estrangeiro na legião, pela editora Globo). Publicada pelo Instituto Moreira Salles, a caprichada reedição valoriza a interação entre o texto de Piva e as fotografias de Duke Lee, que compõem um conjunto distinto de tudo que havia sido feito na poesia brasileira até então.
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