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Só traça não é bem-vinda

21 de dezembro de 2009
2 min de leitura
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O Sebo do Messias acumula boas histórias e uma lista fiel de clientes há 40 anos

Diariamente rodeado por 180 mil livros, o que corresponde a apenas uma parte do acervo de sua famosa rede de sebos, o mineiro Messias Antônio Coelho, 68 anos, curiosamente não se lembra do último título que leu. “Eu era criança”, conta ele, em seu escritório apinhado de volumes. “Nasci para o trabalho. Sou o primeiro a chegar e o último a sair. Gostaria até de ler, mas não dá tempo.” Em janeiro, o Sebo do Messias completa 40 anos. O dia exato? Ele não se lembra. “Não esperava ficar na história”, diz timidamente, sem esconder o orgulho. Se a data não lhe é clara, a história de como tudo começou vem à cabeça de seu Messias sem qualquer esforço. “Em 1969, eu representava a editora Lex e muitos dos meus clientes me pediam que eu conseguisse encontrar livros para eles. Naquela época, só havia três sebos em São Paulo”, fala. Os livros foram parar na casa de um cunhado, mas a situação não estava como ele havia sonhado. “Tinha de fazer listagem, mostrar para os clientes. Era difícil.” Em janeiro de 1970, seu Messias inaugurou o que se tornaria a primeira loja de sua rede de sebos – hoje são três lojas físicas (duas na Praça Dr. João Mendes e uma na Rua Quintino Bocaiúva) e uma virtual com acervo próprio. O trabalho como representante da Lex Editora ele continua a fazer. “Mas agora os clientes vêm até mim.”

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