De poeta a caçador de histórias
Adriano Espínola embaralha ficção e realidade na prosa de Malindrânia
Numa entrevista em que falava sobre as narrativas de Cidades inventadas, o poeta Ferreira Gullar queixava-se de certo menoscabo da crítica em relação ao livro, dando a entender que geralmente não se confere a atenção devida ao fato de um versejador lançar-se pelos caminhos da prosa. Tal preconceito não se formula gratuitamente, pois há vários casos em que num mesmo escritor os talentos para cada gênero destoam. Mas esse certamente não é o caso de Adriano Espínola, poeta de carreira consolidada, em seu mais recente livro, Malindrânia (Topbooks, 81 pp., R$ 22,90), que, além de representar um lance de mudança da forma de sua escrita, exibe também uma mutação artística do pescador de poemas que se torna um caçador de histórias. O próprio livro indica serem relatos os 13 textos que o compõem, sem, no entanto, especificar se pertencem ao campo biográfico ou literário.
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