Sobre F.O.M.O. corporativo e feliz mundo novo!
O 'mundo de 2025' ficou obsoleto antes mesmo de se consolidar; ainda assim, insistimos em respostas simples para problemas complexos
Existe hoje uma espécie de F.O.M.O. corporativo. Uma ansiedade difusa, quase infantil, pela chegada do “unicórnio”: o profissional que resolve tudo, ganha menos do que vale e entrega mais do que é humanamente possível.
A essa altura da história, isso não é visão. É ingenuidade.
Ninguém chega pronto. Nem o mais experiente, nem o mais promissor. Todo humano precisa aprender — o contexto, as pessoas, a cultura, os limites. Quem se coloca acima do aprendizado costuma confundir autoconfiança com soberba. E, na prática, raramente é alguém com quem se constrói algo duradouro.
Vivemos um tempo de grandes rupturas. O mundo econômico, social e simbólico que organizou a vida profissional da geração dos nossos pais já não existe. O “mundo de 2025” ficou obsoleto antes mesmo de se consolidar. Ainda assim, insistimos em respostas simples para problemas complexos. Seguimos tentando centralizar a solução em um único indivíduo, como se isso fosse eficiência quando, na verdade, é fuga.
O processo educacional nunca esteve tão próximo do mundo corporativo. Nenhuma empresa é igual à outra e toda solução real é, antes de tudo, um processo de aprendizagem. O caminho importa. Talvez importe mais do que o destino. Não se constrói nada consistente em times que não se conectam, não se escutam e não se transformam juntos.
Nesse percurso, títulos dizem pouco. Remuneração importa, sim! Ninguém evolui sem dignidade ou autoestima. Mas o que sustenta tudo isso é o relacionamento humano. É nele que se aprende, se ajusta, se erra, se muda de rumo. É nele que as coisas, de fato, acontecem.
Pode parecer lento. Pode parecer improdutivo para quem vive de urgência. Mas não é perda de tempo. Porque a construção permanece. O caminho fica marcado. A estrada é pavimentada. E o que se constrói em conjunto atravessa empresas, ciclos e cargos — vai para a vida.
O F.O.M.O. corporativo pode até gerar resultados rápidos. Pode inflar números, relatórios e apresentações.
Mas não constrói legado.
No fim da vida, nenhum ser humano revisita metas batidas ou gráficos ascendentes com verdadeiro afeto. O que permanece são as relações construídas, os vínculos que atravessaram o tempo, as pessoas com quem foi possível aprender, errar, crescer e mudar. Passamos uma vida inteira aprendendo a morrer – e esse aprendizado faz parte do amadurecimento. Ele nos ensina, tarde ou cedo, que sucesso sem relação é vazio, e que é na construção compartilhada que algo, de fato, permanece.
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