Monstros criados pela civilização
Corrida selvagem, de J.G. Ballard, satiriza excessos da sociedade atual
Com algum atraso nos chega a noveleta Corrida selvagem (José Olympio, 112 pp., R$ 25), de J.G. Ballard, que se ocupa de um dos temas favoritos do escritor inglês: os bairros artificiais, em que tudo o que interessa está do lado de dentro. O livro será a terceira obra ballardiana a virar filme – após Império do Sol, de Steven Spielberg, e Crash, de David Cronenberg, Running Wild estreia em 2011, com Samuel L. Jackson no papel principal, dirigido pelo estreante Kevin Kerslake, conhecido diretor de videoclipes. O argumento de Corrida selvagem é simples e terrível. Em 1988, no condomínio Pangbourn Village, em Reading, cidade a oeste de Londres que hospeda corporações de TI, 32 ocupantes das aprazíveis mansões (590 mil libras cada uma) foram assassinados. Executivos, banqueiros, psicólogos, choferes, empregadas, etc., foram fuzilados, enforcados, atropelados, asfixiados, esfaqueados e eletrocutados num período de tempo, segundo a polícia, de meros 20 minutos.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta
