Herança para a literatura
J. D. Salinger deixa para a literatura a percepção do adolescente em seus mais ricos paradoxos
Quando os originais de O apanhador no campo de centeio foram enviados à gráfica, em 1951, seu autor, J. D. Salinger – morto no dia 28, aos 91 anos – comprou uma briga com o editor, Eugene Reynal. Ele achava que sua foto, estampada na quarta capa, estava muito grande. As relações entre os dois eram tensas. Furioso, o escritor pediu os originais de volta e só a muito custo mudou de ideia. Ian Hamilton escreveu no livro Em busca de J. D. Salinger (Casa Maria Editorial, 1990), que o escritor pediu a Reynal que não lhe enviasse nenhuma das críticas publicadas na imprensa. Aquilo não o interessava. Um autor não pode fazer nada se alguém o odeia ou, ao contrário, o glorifica. Simplesmente porque esses argumentos dizem mais a respeito do leitor, e do modo como o livro o arrebata, ou repugna, do que a respeito do escritor. Agora, com a morte de Salinger, todos se perguntam por que O apanhador até hoje nos embriaga. Ainda mais: por que, com o passar dos anos, em vez de se tornar uma narrativa datada, ele nos apaixona ainda mais?
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