Fazendo arte com meu tio
Meu tio, da Cosac Naify, é baseado no clássico bem-humorado de Jacques Tatit, de 1958
Houve um tempo em que as editoras americanas descobriram um filão rentável nos livros baseados em sucessos do cinema. Woody Allen, num dos seus filmes, criticava uma namorada escritora por aviltar seu talento fazendo esse tipo de trabalho de transposição. Não há nada de vil, no entanto, no romance infanto-juvenil Meu Tio (Cosac Naify, 176 pp., R$ 37 – Trad.: Paulo Werneck), de Jean-Claude Carrière, baseado no filme homônimo de Jacques Tati (1907-1982), o mais prestigiado dos comediantes do cinema francês. O livro é de 1958, mesmo ano em que o filme foi lançado, e narrado por Gérard Arpel, que, adulto, rememora sua infância ao lado do tio, Monsieur Hulot (o personagem de sempre de Jacques Tati). Gérard é filho único de um industrial e uma dona de casa que se orgulham de sua fabulosa casa moderna. O menino vive uma vida nada feliz entre a mania de limpeza da mãe e a mania de eficiência do pai: “Eu tinha sido educado para respeitar as flores artificiais”.
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