Brasil, um enigma duradouro
Obra de Max Bense, de 1965, reflete sem pieguice sobre inteligência do país
O livro Inteligência brasileira – Uma reflexão cartesiana (Cosac Naify, 120 pp., R$ 39 – Trad. Tércio Redondo e posfácio de Ana Luiza Nobre), escrito pelo esteta alemão Max Bense, professor em Ulm, meca dos artistas concretos, é uma obra surpreendente, disposta a tomar a cultura brasileira como uma experimentação civilizatória singular. Foi originalmente publicado na Alemanha, em 1965, depois de quatro viagens ao Brasil realizadas entre 1960 e 1964. O que de início parece ser um relato de viagem, vai se transformando em um ensaio fragmentário de crítica cultural, mais do que isso, numa investigação sobre a possibilidade do ocidente se reinventar nos trópicos. São ao todo 53 pequenos capítulos, costurados pelo desejo de compreender os traços marcantes de uma modernidade heterodoxa e cosmopolita. Até o fim permanece o espanto do viajante, garantindo o tom poético da escrita. A aposta cosmopolita é fundamental, pois a diferença de nossa singularidade não pode recuar para o provincianismo, mas deve acenar para fora, ser culturalmente centrífuga.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta
