Ilusão e verdade
Novo romance do gaúcho Menalton Braff transforma discussão sobre ética em nostalgia da verdade
“A impressão que tenho é a de que um romance não trata, ele é”. A frase, dita pelo protagonista de Moça com chapéu de palha (Língua Geral, 216 pp., R$ 34), sugere que o novo livro de Menalton Braff é um romance “metalinguístico”, em que a linguagem em si mesma é mais importante do que a matéria narrativa, do que aquilo que o livro “trata” ficcionalmente. Essa impressão é reforçada pelo fato de sua personagem, o jornalista Bruno Vieira, esboçar um texto que coincide com o livro que temos em mãos: no romance de Menalton Braff, o protagonista (que também é o narrador) escreve um romance que é o próprio romance de Menalton Braff – num jogo de espelhos que tem precedentes ilustres na literatura pós-moderna. Se Moça com chapéu de palha não é menos que isso (um romance pós-moderno, com tudo o que implica de ilusionismo), certamente é mais do que isso – pois o ilusionismo proposto por Braff está, ironicamente, a serviço da ideia de “verdade”, palavra que ricocheteia ao longo de todo o livro, comenta a coluna Rodapé Literário.
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