O lavrador que virou livreiro
A saga de José Xavier Cortez: plantador de algodão, marinheiro, lavador de carros e editor de livros
Aconteceu há uns cinco anos. Três assaltantes, armados, entraram na livraria e editora Cortez. José Xavier Cortez, o fundador e proprietário do estabelecimento, interveio:”Pode levar meu relógio, minha carteira, meu celular… Mas o cofre eu não sei abrir, não”. E como bom proseador, desatou a papear com um dos assaltantes. Da origem em comum – nordestinos – tiraram assunto. “Olha, meu negócio é pequeno, não sobra muito dinheiro, não”, dizia. “Sabe como a vida está difícil, né? Não tem emprego…”, respondia o bandido. “Você tem filhos? Não quer levar livros para que eles não tenham a mesma sorte que a sua?”. Ao descobrir que o sujeito era pai de três crianças, Cortez pediu para uma funcionária separar os 19 títulos que, na época, compunham a coleção infantil da editora. “Ele me agradeceu e levou a sacola cheia”, relembra o livreiro, todo feliz. Aos 73 anos, esse nordestino de Currais Novos – município do Rio Grande do Norte com 43 mil habitantes e 29% de analfabetismo na população com mais de 25 anos – acaba de virar filme. Conheça a trajetória de Cortez contada pelo jornal O Estado de S. Paulo.
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