A maré digital bate na muralha
Microblogs e redes sociais desafiam esforços da China para controlar a internet
No recente Congresso Nacional do Povo, que reuniu em Pequim os parlamentares da China, uma informação escapou dos corredores oficiais e trouxe dor de cabeça para o Partido Comunista (PC). Uma das delegadas presentes à fechadíssima reunião contou em seu microblog que os dois mil participantes estavam ganhando laptops de graça do governo. O post de 140 caracteres se espalhou pela internet e levou os internautas chineses a protestarem contra o gasto de US$ 1,5 milhão que sairia do bolso do contribuinte. No mundo digital, o controle da informação, uma obsessão do onipresente PC, fica mais complicado. Blogs, microblogs, fóruns de discussão, SMS, redes sociais, celulares — o exército da tecnologia da informação está dando aos cidadãos da China uma chance única de expressão. É uma briga de gato e rato: os usuários da web acham uma brecha nas barreiras da censura e a ditadura cria um novo bloqueio. No livro China 2.0 (Editora Wiley, 256 pp., US$ 29,95), os autores Marina Zhang e Bruce Stening sustentam que a China está passando por uma revolução, liderada por quem antes vivia em silêncio, mas agora – apesar da censura – vem soltando a voz em fóruns virtuais.
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