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Ficção e ensaio em O dia da coruja

10 de abril de 2010
1 min de leitura
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Uma amostra quase que didática da simbiose entre os dois gêneros encontra-se na novela O dia da coruja

Uma amostra quase que didática da simbiose entre ensaio e ficção encontra-se em O dia da coruja (Alfaguara, 136 pp., R$ 31,90 – Trad.: Eliana Aguiar), breve novela do italiano Leonardo Sciascia (1921-1989), ele mesmo uma mescla de escritor e político. O livro, lançado em 1961, começa com a cena límpida de um filme: num árido vilarejo da Sicília, um passageiro é assassinado ao entrar num ônibus lotado. Como sempre, ninguém viu, ouviu ou sabe nada. O capitão Bellodi, novato na Sicília, é o encarregado de deslindar o caso. Ele representa um sopro de civilização num ambiente arcaico, silenciosamente dominado pela máfia e congelado em formas imemoriais de dominação. A narrativa, elegante e econômica, atenta à graça da cultura siciliana, que absorvemos pelos olhos estrangeiros de Bellodi, contrapõe as providências policiais.

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