Ficção e ensaio em O dia da coruja
Uma amostra quase que didática da simbiose entre os dois gêneros encontra-se na novela O dia da coruja
Uma amostra quase que didática da simbiose entre ensaio e ficção encontra-se em O dia da coruja (Alfaguara, 136 pp., R$ 31,90 – Trad.: Eliana Aguiar), breve novela do italiano Leonardo Sciascia (1921-1989), ele mesmo uma mescla de escritor e político. O livro, lançado em 1961, começa com a cena límpida de um filme: num árido vilarejo da Sicília, um passageiro é assassinado ao entrar num ônibus lotado. Como sempre, ninguém viu, ouviu ou sabe nada. O capitão Bellodi, novato na Sicília, é o encarregado de deslindar o caso. Ele representa um sopro de civilização num ambiente arcaico, silenciosamente dominado pela máfia e congelado em formas imemoriais de dominação. A narrativa, elegante e econômica, atenta à graça da cultura siciliana, que absorvemos pelos olhos estrangeiros de Bellodi, contrapõe as providências policiais.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta
