Autor francês aborda a morte com leveza
Sai no Brasil Pequeno Vampiro e o Kung Fu, de Joann Sfar, HQ que une elementos infantis a temas pesados
“Quis fazer como a [Marjane] Satrapi!”, brinca o francês Joann Sfar, 38, enquanto fala à Folha por telefone sobre a animação baseada na HQ dele O Gato do Rabino. A iraniana Satrapi transformou a graphic novel Persépolis em filme em 2007. Foi sucesso de crítica. Em fase de pós-produção e sem data de lançamento, o longa sobre um gato judeu falante marca nova fase na carreira do artista. “Quando faço quadrinhos, estou sozinho. Já no filme, estou cercado de pessoas e sou obrigado a ser legal. Mas essa não é minha natureza, a de ter de ser gentil sempre!” Autor de quase cem livros publicados, no Brasil lançou o Pequeno Vampiro e o Kung Fu (Zahar, 32 pp., R$ 29,90. Trad.: André Telles). A HQ dá continuidade às peripécias do sanguessuga fofo que dá nome à série – uma espécie de Gasparzinho de dentes afiados. O enredo une elementos meigos a outros violentos e agrada a diversas faixas etárias. “Há um aspecto infantil em meu trabalho, gosto de desenhar animaizinhos e de colocar lições de moral.” As histórias de Pequeno Vampiro são rodeadas de morte. “Você não pode resolver o problema da morte, mas você pode ajudar as crianças a verem que o mundo é bonito mesmo se faltar alguém nele”, diz Sfar, que, jovem, perdeu a mãe.
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