ABL sacode a poeira
A Academia Brasileira de Letras passa por processo de modernização, entra em fase de comunhão com as artes mais populares e adere às inovações tecnológicas.
Na reta final da campanha por uma vaga na Academia Brasileira de Letras (ABL), há um mês, Martinho da Vila já perdera a conta de quantas regras do protocolo dos candidatos havia quebrado. “Uma delas era não dar entrevistas”, dizia Martinho, que nem chegava a acreditar em sua eleição para a cadeira 29. Convidado a participar da disputa pelo presidente da ABL, Marcos Vilaça, o sambista representaria a entrada de um artista popular na casa, interessada em integrar-se à sociedade. “Gosto da academia, principalmente nestes últimos tempos, em que demonstra apreço pela diversidade cultural”, disse Martinho, lamentando apenas a resistência dos acadêmicos em aceitarem músicos entre os imortais. Apesar da crítica de Martinho, a composição da academia é eclética. O estatuto permite o ingresso de qualquer brasileiro que tenha publicado um livro. Nem todos são conhecidos do público. Aos que pensam que o namoro da ABL com manifestações populares seja recente, Vilaça garante que a prática sempre existiu. “A academia jamais esteve empoeirada. Agora, talvez, haja pouco mais de divulgação sobre essas atividades”, pondera Vilaça, articulador de homenagens aos técnicos Joel Santana (futebol), Bernardinho (vôlei), a Martinho da Vila e à escola de samba Vila Isabel. ” A escritora Nélida Piñon credita a Vilaça a maior parte dos esforços pela atual fase de comunhão com as artes populares. “Ele imprime à casa sua visão cosmopolita do Brasil, lembrando que ela reveste de representatividade o trabalho que faz pela coletividade.”
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