Puro-sanguismo tem seu preço, diz Flip
Organizadores da festa literária ressaltam perfil não comercial do evento como justificativa para gasto público
Segundo o arquiteto Mauro Munhoz, diretor-presidente da Casa Azul, associação que organiza a Flip, o apoio crescente do Estado deve ser celebrado como reconhecimento ao perfil menos conhecido da festa: de revitalização urbana e desenvolvimento sustentável. Ele destaca o plano estratégico de transformar Paraty em referência nacional em turismo cultural, a instalação de 31 pequenas bibliotecas no município, o programa de leitura literária na rede municipal de ensino e o projeto para construir uma praça-biblioteca no Parque da Mangueira, uma das áreas mais violentas da cidade. Dos R$ 6,3 milhões do orçamento, R$ 1,2 milhão é aplicado nessas iniciativas. “A Flip é um projeto puro-sangue, voltado para literatura e para políticas públicas do território. O puro-sanguismo tem seu custo: não colocamos estandes, não é uma feira comercial”, diz Munhoz. Segundo o Ministério do Turismo, o projeto de apoio à Flip é de R$ 203 mil: a pasta entra com R$ 195 mil, o resto é contrapartida. A verba será usada em infraestrutura (locação de gerador, iluminação e sonorização). A Flip busca ainda desde 2005, sem êxito, o patrocínio da Petrobras.
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