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Livro alerta para os perigos das jovens democracias

13 de agosto de 2010
2 min de leitura

Ao lançar A sombra do ditador, Heraldo Muñoz diz que instituições débeis e apatia dos jovens ameaçam países da América do Sul

Na manhã de 11 de setembro de 1973, o hoje diplomata Heraldo Muñoz saiu de sua casa, em Santiago, disposto a lutar contra os militares que até o fim do dia teriam deposto o governo do presidente Salvador Allende. Suas recordações sobre os primeiros momentos do golpe militar abrem A sombra do ditador – Memórias políticas do Chile sob Pinochet (Jorge Zahar, 396 pp., R$ 59), em que mescla o relato de experiências pessoais com a trajetória do país da época da ditadura à retomada democrática. Ao longo de dois anos, ele trabalhou em pesquisas até chegar ao texto final, que espera servir para contribuir com a “história de nossos tempos”, uma época em que, a seu ver, as democracias latino-americanas não correm riscos, porém convivem com instituições débeis e a apatia da juventude. “Não acredito na possibilidade de novos golpes na América do Sul, como nas décadas de 60 e 70. O problema hoje não são as eleições ou os golpes, mas a qualidade da democracia. Nossas democracias são fracas, com instituições débeis. Há ainda corrupção, apatia dos jovens, desigualdade no acesso ao poder e à riqueza. Aí estão os perigos da democracia, não na intervenção militar clássica”, disse Muñoz.

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