Fósforo passa a publicar a obra de Raduan Nassar, 90 anos, em 2027
Editora prepara novas edições de livros do autor, textos inéditos, audiolivros e projetos de formação; Luiz Fernando Carvalho trabalha na adaptação de um texto ainda não publicado
A Fósforo passa a publicar, a partir de 2027, a obra de Raduan Nassar, vencedor do Prêmio Camões em 2016 e autor de apenas três livros, mas grandiosos livros: Lavoura arcaica (1975), Um copo de cólera (1978) e Menina a caminho (1997). Os primeiros lançamentos estão previstos para o primeiro semestre do ano que vem e vão inaugurar um novo projeto editorial que prevê também a publicação de textos inéditos, escritos originalmente publicados na imprensa, audiolivros e estudos sobre a obra do escritor.
Para conduzir o projeto, a editora formou um conselho editorial composto pela crítica e curadora Rita Palmeira, pelo professor e editor Augusto Massi, pelo editor e escritor Estevão Azevedo, autor de O corpo erótico das palavras: um estudo da obra de Raduan Nassar, e por Messias Barboza, assessor do escritor.
“É com honra e alegria que assumimos a tarefa de abrir um novo ciclo editorial para a obra de Nassar. O desafio da empreitada está à altura da grandeza de sua literatura e do trabalho extraordinário realizado pela Companhia das Letras ao longo de décadas, tanto no Brasil quanto no exterior”, afirma Rita Mattar, sócia da Fósforo, em nota distribuída na imprensa.
Além das novas edições dos três livros já conhecidos, a Fósforo pretende trazer aos leitores escritos inéditos de Raduan e reunir textos publicados pelo autor na imprensa ao longo de mais de cinco décadas. O projeto prevê ainda livros dedicados à análise da sua obra e a produção de audiolivros.
O conselho também pretende trabalhar na organização do acervo reunido pelo escritor. “Além de colaborar com decisões editoriais, o conselho pretende contribuir para a organização do conjunto de documentos, fotos, manuscritos e periódicos que Raduan vem reunindo ao longo de décadas”, explica Rita Palmeira, no material de divulgação.
Outra frente será a audiovisual. O cineasta Luiz Fernando Carvalho, que dirigiu a adaptação de Lavoura arcaica para o cinema, ficará responsável pelos desdobramentos audiovisuais da obra e já trabalha na adaptação do inédito As três batalhas. “Raduan Nassar é um universo, um poeta à frente de seu tempo. Os desdobramentos de sua pequena grande lavra são fundamentais”, afirma o diretor, no release.
A Fósforo pretende ainda aproximar a obra de novos públicos por meio de cursos online gratuitos e clubes de leitura abertos. “Queremos dialogar com novos leitores, mas também com professores e pesquisadores dedicados ao estudo de Nassar”, diz Fernanda Diamant, sócia fundadora da editora paulistana.
Para Augusto Massi, a mudança de editora pode também produzir uma nova leitura da obra incensada do autor de 90 anos. “Penso que o fato de Raduan mudar de casa, ser revisitado por uma editora jovem, formada por uma equipe aguerrida, pode retirar a roupagem de clássico e nos trazer de volta o espírito radical de um escritor que sempre cultivou um campo de antagonismos, um Raduan capaz de reconduzir o leitor à cena contemporânea”.
Apesar de ter largado a literatura ainda jovem para se dedicar à vida no campo, o escritor nascido em Pindorama, no interior de São Paulo, ocupa um lugar central no cânone brasileiro pela força de uma prosa marcada pelo ritmo, pela tensão e por uma linguagem muito própria.
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