Uma caricatura da sociedade moderna
Adjei-Brenyah, grande promessa da literatura norte-americana contemporânea, tem seu livro de estreia publicado no Brasil pela Fósforo
Seria possível encontrar, no futuro próximo, um mundo mais justo e menos selvagem? Reescrever a história, repensar a humanidade sem vícios mortais como o racismo, o consumismo exacerbado, as armas e a crueldade latente? Friday black (Fósforo, 224 pp, R$ 69,90 – Trad.: Rogério W. Galindo), livro de estreia de Nana Kwame Adjei-Brenyah, nos mostra que não. Nesta coletânea de doze contos definida pelo The Wall Street Journal como “impressionante”, tudo parece absurdo à primeira vista. Mas, em seguida, o enredo assume paralelos com a realidade e transporta os leitores de volta a acontecimentos recentes veiculados à exaustão nos noticiários. Neste livro, a violência e o grotesco atingem seu nível máximo, sem cortes, como numa caricatura da sociedade moderna. O futuro — uma alegoria do tempo presente — é apresentado em visão panóptica, pela qual quem lê se reconhece como voyeur de algo que gostaria de participar. Em Friday black, é por meio da barbárie que o ser humano sacia os seus desejos mais irascíveis. Adjei-Brenyah, grande promessa da literatura norte-americana contemporânea, é um radical do absurdo. Com humor mordaz, coloca os leitores em uma situação constrangedora, numa mixórdia de sentimentos que só os grandes escritores conseguem produzir. Não existe alívio. Segundo o próprio autor, “nada é mais chato do que um final feliz”, frase que talvez resuma esta obra, reflexo do século 21.
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