Dez previsões ousadas para o mundo editorial
Lançamento de novos tablets, mudanças contratuais e aumento no percentual de direitos autorais sobre e-books estão no horizonte em 2012
2011 foi um ano turbulento para o mundo editorial, com muitos dos maiores players da indústria fazendo grandes mudanças. No ano passado, a Amazon se tornou uma editora, mais autores best-seller apareceram e empresas aderiram à produção de e-books num ritmo acelerado. Alguns dos eventos de 2011 foram do tipo “eu já esperava por isso…”, como o fechamento da Borders ou a Random House aderindo ao modelo de agência para precificar os livros digitais. Mas a maioria, no entanto, foi surpreendente – nunca se imaginou que uma “Big Six” como a HarperCollins compraria a editora cristã de Nashville, Thomas Nelson. Agora que chegamos ao fim de 2011, o que está por acontecer em 2012? Falamos com experts do negócio do livro, observadores e players para ouvir as predições mais ousadas sobre quais eventos extraordinários esperam por nós nos doze meses que estão por vir. Veja todas as previsões:
1. Veremos mais best-sellers entre as autopublicações e um crescimento exponencial na quantidade de autores que vendem mais de um milhão de exemplares (nos EUA).
Em novembro de 2011, o Kindle Million Club – uma lista dos autores que ultrapassaram a marca de um milhão de exemplares vendidos na Kindle Store da Amazon – chegou a 14 membros, com a entrada de David Baldacci, Amanda Hocking e Stephenie Meyer. “Isso pode ter sérias consequências para as editoras tradicionais”, comentou o Dr. Windsor Holden, diretor de pesquisas do Juniper Research e um dos autores do recente relatório do Juniper sobre o futuro da indústria do livro. “Ao facilitar a publicação, Amazon, Barnes & Noble e outros estão minando a posição privilegiada do editor na cadeia produtiva de maneira muito similar a como a Apple minou o papel de provedor das operadoras quando introduziu a App Store.”
2. Grandes editoras passarão por reestruturações radicais, criando novos cargos e estruturas de vários tamanhos e formas.
À medida que, cada vez mais, o que os editores fazem se torna diferente da maior parte do que faziam antes, as pessoas que trabalham no mundo editorial provavelmente terão diferentes papéis, novas funções ou até mesmo se descobrirão sem trabalho.
“Em 2012, já teremos alguns anos de experiência digital”, disse Peter Balis, diretor de venda de conteúdo digital da John Wiley & Sons, uma editora acadêmica e também de livros comerciais. “Em uma economia cheia de desafios, você verá algumas grandes mudanças.”
Algumas dessas mudanças talvez incluam contatar mais pessoal de marketing e desenvolvedores de software, e-book e de apps, e diminuir o departamento comercial e ter menos editores de aquisição, segundo Mike Shatzkin, um veterano expert da indústria do livro. “As vendas de livros impressos vão diminuir e as vendas de e-book vão aumentar; e isso vai resultar em mudanças organizacionais.”
3. A Amazon apresentará um tablet maior, por $299, ou menos.
O tablet Kindle Fire com tela de sete polegadas estourou as planilhas de vendas, com mais de um milhão vendidos por semana, segundo a Amazon. Entretanto, tem havido algum desapontamento dos consumidores com o produto, a maioria por causa da tela muito pequena.
“Se você observar as críticas em relação ao tablet, perceberá que um número significante de usuários acha que o aparelho é pequeno demais para fazer tudo o que eles querem fazer”, disse Rhoda Alexander, gerente sênior para pesquisas de tablets e monitores na IHS iSupli. Mas não descarte a Apple, porque…
4. Apple apresentará um iPad menor… e mais barato.
A Apple deve responder ao aparecimento de tablets de baixo custo com telas de sete polegadas que estão invadindo o mercado deste o final de 2011 – como Kindle Fire, Nook Tablet e Kobo Vox, por exemplo. Um novo relatório da IHS iSuplli sugere: “A Apple deve reduzir o preço do iPad 2 quando apresentar o iPad 3… da mesma maneira que a empresa continuou a oferecer o iPhone 3 quando lançou o iPhone 4.”
“Isso deverá reduzir a diferença de preços entre os produtos atuais da Apple e os tablets menores que existem no mercado hoje”, disse Balis.
5. A Sony ganhará uma sobrevida entre os e-readers com o lançamento oficial do site Pottermore, no segundo trimestre de 2012.
Em junho de 2011, Pottemore apareceu na Web, como se tivesse sido conjurado pelos magos da editora Bloomsbury, casa londrina da série Harry Potter. Na verdade, o site foi “conjurado” pela Sony, parceira tecnológica da Bloomsburry no projeto.
Segundo se diz, os livros de Harry Potter devem vir pré-instalados na nova geração de e-readers da Sony e talvez até sejam exclusivos para o e-reader por um pequeno período, depois do lançamento do site, segundo fontes da Sony que não se identificaram. “Existem rumores de exclusividade por três meses”, disse Thad Mclirov, um analista de edições eletrônicas, de Vancouver, que mantém o site TheFutureofPublishing.com. “Se fossem apenas três dias já seria suficiente para que sete ‘zilhões’ de fãs alucinados de Harry Potter comprassem o aparelho.”
6. As agências literárias se envolverão em uma campanha para demonstrar o valor do seu serviço para o mercado editorial.
Um dos grandes debates em 2011 foi sobre a relevância das editoras. Autores autopublicados e algumas outras pessoas falam abertamente que as grandes editoras não são acessíveis e o modelo de negócios sob o qual trabalham está desatualizado. A maioria das editoras não se manifestou durante quase todo ano – até algumas semanas atrás, quando um memorando interno da Hachette sobre a sua relevância para o mercado vazou.
Neste ano, os agentes também devem ser questionados nesse sentido. “Os agentes estarão mais dispostos a discutir publicamente o valor dos seus serviços”, disse Ginger Clark, agente da Curtis Brown, em Nova York. “Todos os nossos clientes sabem o que fazemos por eles, mas autores autopublicados que não têm agentes não sabem o que estão perdendo.”
7. Autores se desencantarão com os contratos de direitos autorais atuais e contratos mais curtos e flexíveis se tornarão mais atraentes.
Num certo momento do ciclo comercial de um livro, o autor começa a ganhar cada vez menos dinheiro. Contratos que impedem os autores de usar novas ferramentas de mídia para estender a vida comercial da propriedade intelectual porque os direitos não pertencem mais aos autores serão cada vez menos atraentes para eles.
“À medida que o valor social e a reputação da presença de uma obra na internet aumentar, os autores ficarão cada vez mais frustrados por suas obras estarem amarradas por direitos autorais que os impedem de ter maiores retornos financeiros”, disse David Weinberger, pesquisador sênior no laboratório de pesquisas sobre internet de Harvard, o Berkman Center for Internet & Society.
8. O padrão de royalties para e-books das maiores editoras irá aumentar e continuará a crescer com o aumento das vendas.
Segundo o expert da indústria do livro Mike Shatzkin, no caso dos livros impressos, os autores recebem porcentagens maiores do preço sugerido de capa quanto maior a quantidade de livros vendidos, a título de royalties. Com os e-books, entretanto, o mais comum é os autores receberem 25% da venda, independente da quantidade vendida.
“As pressões comerciais da indústria vão empurrar as porcentagens de royalties para cima e os autores descobrirão que é menos oneroso pagar taxas mais altas, se elas estiverem baseadas no desempenho”, disse Shatzkin. Até quanto podem chegar? “Substancialmente altas”, abaixo de 50%, mas acima de 25%, completa Shatzkin.
9. Definições do que é um App e do que é um livro irão mudar e Apps poderão ser vendidos na iBookstore.
Com a nova versão do ePub, os editores poderão adicionar mais interatividade e “balangandãns” digitais em seus produtos do que jamais puderam. Isto pode acabar confundindo um pouco a linha que separa e-books de book apps, que são livros ricos em recursos que estão fora dos ecossistemas das eBookstores online e que já possuem muitas das ferramentas que o ePub 3 disponibiliza para os e-books tradicionais.
Além disso, a proliferação de tablets no mercado vai encorajar editores a fazer experiências tanto com e-books quanto com apps.
“Os padrões atuais de publicação – o que deve ser publicado na iBookstore e o que deve ser publicado como aplicação – irão mudar”, afirma Erin Reilly, diretor de pesquisas de criação do Annenberg Innovation Lab na University of Southern California. “Esses padrões foram definidos muito cedo. Vocês verão uma abertura maior na iBookstore, permitindo que diferentes tipos de infraestrutura sejam incluídos como sendo um livro.”
10. Mais editoras formarão seu próprio departamento transmedia.
Em abril de 2011 a Random House lançou a Random House Worlds, uma parceria transmídia com a empresa de software para games THQ. Cada vez mais as editoras estão olhando para a propriedade intelectual que possuem como extensível a outras plataformas de mídia.
“Todas as editoras terão ou um departamento interno de transmídia ou negociarão parcerias desse tipo com experts em transmídia”, afirma Reilly.
*Jeremy Greenfield é diretor editorial da Digital Book World. @JDGsaid
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