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Voltar EVENTOS LITERáRIOS

Obras de Erthos Albino de Souza em exposição no IMS

25 de agosto de 2010
3 min de leitura

Ele foi um dos pioneiros da poesia feita em computador

Conhecido por sua interação com a vanguarda concretista, pelo convívio com os tropicalistas em Salvador e como editor da célebre revista Código, o engenheiro, bibliófilo, poeta e pesquisador Erthos Albino de Souza, falecido em 2000 sem nunca ter publicado em livro os seus poemas “alfa-numéricos” ou realizado uma exposição individual, ganha agora homenagem no Instituto Moreira Salles (Rua Marquês de São Vicente, 476 – Gávea – Rio de Janeiro/RJ. Tel.: 21 3284-7400).

A mostra “Erthos Albino de Souza. Poesia: do dáctilo ao dígito”, em cartaz até 24 de outubro e com curadoria de Augusto de Campos e André Vallias, faz um amplo apanhado de sua produção: dos primeiros poemas feitos com máquina de escrever, no final da década de 1960, às impressões em computador mainframe,nos anos 70, que fazem dele um relevante precursor da chamada “poesia digital” – dos “poesignos”, logotipos poéticos, aos poemas-objeto e colagens fotográficas.

Mineiro de Ubá, radicado em Salvador – ou “ubáiano” como ele mesmo se definia –, esse entusiasta da poesia de vanguarda, patrocinava projetos de Augusto de Campos e de outros concretistas, mas não se animava em publicar os próprios trabalhos. “Erthos preocupava-se, angelicalmente, acima de tudo, com os outros e ficava feliz com o êxito dos projetos e das obras dos poetas em que acreditava e que financiava com a maior e mais desinteressada generosidade”, explica Augusto de Campos.

O contato entre Erthos Albino e Augusto e Haroldo de Campos começou em 1962, quando ele tomou conhecimento dos primeiros estudos que os irmãos realizavam sobre o poeta maranhense Sousândrade. Erthos, então engenheiro da Petrobras em Salvador, se propôs a financiar o projeto de resgate da obra do poeta, sem conhecer os autores pessoalmente – o contato era só por cartas até 1969.

Erthos foi um grande pesquisador, responsável por inúmeras descobertas de textos de Pedro Kilkerry, Patrícia Galvão (Pagu) e Sousândrade, tendo ainda realizado um trabalho pioneiro de análise estatística de textos literários através do computador. Em 1973, fundou, com o poeta e antropólogo Antônio Risério, a revista Código, publicação brasileira de poesia de vanguarda, que teve 12 números e circulou até 1989. Suas obras criativas foram disseminadas nas revistas experimentais da época, como Pólen, a própria Código, Qorpo Estranho, Artéria, Muda e Atlas.

Erthos Albino. Poesia: do dáctilo ao dígito

25 de agosto a 24 de outubro de 2010

De terça a sexta, das 13h às 20h

Sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h

Entrada franca

Classificação livre

Visitas monitoradas para escolas: agendar pelo telefone (21) 3284-7400

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