Os herdeiros de Don Quixote
Enquanto as grandes livrarias se multiplicam em São Paulo, as independentes estão ficando cada vez mais raras. Mas algumas conseguem sobreviver ao tempo com uma clientela fiel em seus bairros. Todos esses estabelecimentos apresentam algum diferencial no acervo ou no atendimento para não perder seus clientes para as megastores. Antes de comprar a Livraria da Vila, no fim de 2002, Samuel Siebel era freqüentador do endereço. Com um acervo de 50 mil livros, a livraria oferece livros de vários segmentos. Aos antigos freqüentadores do lugar, Samuel avisa: "Não vou mudar quase nada, pois a livraria já tem uma marca forte. A idéia é trazer algumas novidades, como a criação de um site e um investimento maior na seção de CDs." Quando Cecília Mendes de Almeida fundou a Book in the Box com seu ex-marido na Vila Nova Conceição, em 1985, o bairro não tinha nenhuma livraria. Em 1992, o casamento acabou, a sociedade profissional também e Cecília resolveu continuar trabalhando no endereço. Batizou a nova loja de Torre de Papel. Já a livraria Azteca - que funciona desde 1995 na rua Bartira, perto da PUC e vizinha da Cortez - é representante no Brasil da editora mexicana Fondo de Cultura e foi fundada com o objetivo de se especializar na área de humanas. "É uma livraria de atendimento. Não temos o mesmo fluxo das megas mas temos um público fiel", diz o gerente Isac Vinic. Há 35 anos na rua Augusta, a Ao Gôsto Augusta é a materialização perfeita para o ditado que diz "tamanho não é documento". Com um acervo bem atraente de livros de arte, a livraria oferece ao cliente a opção de adquirir algumas raridades do mercado literário. Além disso, é possível comprar quadros, gravuras, CDs de selos brasileiros independentes e se inscrever em cursos de arte - como história da música e estética.
18 janeiro 2003