Livros, leitura, desenvolvimento
Muito se disse da pesquisa sobre o livro no Brasil que os economistas George Kornis e Fabio de Sá Earp, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), realizaram para o BNDES. Na apresentação dos resultados, os pesquisadores observaram que não entendem por que o setor não está berrando por mais apoio e fica escondendo a verdade. E eles têm toda a razão. Há poucas décadas havia um estranho hábito no setor editorial de sempre divulgar que estava tudo ótimo, estando ou não. Quando uma nova geração, mais exigente e mais profissionalizada, chegou ao mercado, os números foram ficando mais claros. A partir de 1990 obteve-se um histórico de dados importantes sobre o mercado editorial, e quem lia as pesquisas com a devida atenção via uma realidade preocupante. Aliás, a pesquisa dos economistas da UFRJ não mostra nada que já não fora obtido no Diagnóstico do Setor Editorial (de 1990 a 2002) ou na pesquisa Retrato da Leitura no Brasil (2001), a primeira feita diretamente com a produção e as vendas das editoras e a segunda pesquisando a opinião de pessoas maiores de 14 anos de todo o país por meio de uma amostragem de cerca de seis mil entrevistas. O grande valor desse novo trabalho é confirmar os problemas e fazer um alerta consistente sobre as conseqüências que a falta de uma política de governo organizada podem trazer para o futuro da nação. * Raul Wassermann é editor e ex-presidente da Câmara Brasileira do Livro (1999 a 2003)
6 janeiro 2005