Companhia das Letras
É a Ales
Signe está deitada em um banco de sua casa no fiorde e tem uma visão de si mesma há mais de vinte anos: parada na janela esperando por seu marido Asle, no fatídico dia de novembro quando ele saiu com seu barco e nunca mais voltou. Suas memórias se ampliam para incluir a vida do casal e mais: os laços de família e os dramas que remontam a cinco gerações, até Ales, a trisavó de Asle. Na prosa vívida e alucinante que fez do norueguês Jon Fosse um dos mais destacados autores contemporâneos, esses momentos — assim como os fantasmas do presente e do passado — coexistem no mesmo espaço. É a Ales é uma obra-prima visionária e oferece uma reflexão assombrosa sobre o amor, a perda e o legado de nossos antepassados.
Imagens da branquitude
Em livro preciso, Lilia Moritz Schwarcz analisa o fenômeno social e cultural da branquitude a partir de suas manifestações simbólicas e iconográficas.“Ninguém lê livremente e sem as lentes e códigos da sua cultura.” A maneira pela qual as imagens nos afetam é condicionada por esquemas visuais – em geral nada inocentes – que nos foram transmitidos, e que carregam uma interpretação específica daquilo que é representado. Em Imagens da branquitude, Lilia Moritz Schwarcz analisa uma iconografia múltipla, do século XVI ao presente, passando por mapas, monumentos públicos, fotografias, publicidade, e, a partir do exame detido desses testemunhos, identifica como são atravessados por práticas racistas, buscando “desnaturalizar” essas concepções. Muito mais do que uma análise meramente iconográfica e recortada, esta é uma história, na longa duração, de como a branquitude se manifestou simbolicamente, em especial por meio da visualidade, de modo a estabilizar um ambiente de hierarquização ou estruturas de subordinação. A presença forte mas racialmente ausente dos brancos nesses registros visuais, com o decorrente pressuposto de que seriam o normal ou o intrinsecamente dominante, assoma como ponto central deste livro necessário, que nos convida a olhar para essa produção imagética e fazer o exercício de lê-la na contramão.
Jantar secreto
Romance com mais de 100 mil exemplares vendidos, Jantar secreto conta a história de um grupo de amigos que se muda para o Rio de Janeiro e passa a organizar jantares misteriosos. Do autor da novela “Beleza Fatal”, da Max e criador da série original…
Jantar secreto: Edição de colecionador
Dez anos depois, os jantares organizados por Dante, Leitão, Victor Hugo e Miguel seguem a todo vapor! É o que descobrimos no capítulo inédito e exclusivo desta edição de Jantar secreto, best-seller de Raphael Montes. Uma caixa surpreendente, que esconde um livro em capa dura,…
Lula, volume 2
Neste segundo volume da trilogia biográfica de Lula, Fernando Morais reconstitui os anos finais da ditadura até a vitória do ex-líder sindical em 2002 como o primeiro presidente operário da história do Brasil. Mantendo o ritmo eletrizante do primeiro volume, no qual acompanhamos Lula até a fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) e sua disputa ao governo de São Paulo, em 1982, Fernando Morais dá seguimento ao projeto de esmiuçar a vida da figura política mais relevante da nossa história recente. A partir de informações inéditas, esta sequência perpassa o esgotamento da ditadura, as Diretas Já, o embate com Collor nas eleições de 1989, o Plano Real de FHC e culmina na vitória das eleições presidenciais em 2002. Autor de obras canônicas da não ficção nacional, Morais examina anos centrais da construção política de Lula e a trajetória que redefiniu os rumos do país.
Nexus
Nos últimos 100 mil anos, nós acumulamos um imenso poder. No entanto, mesmo com todas as nossas descobertas e conquistas, estamos diante de uma crise sem precedentes, com um colapso ambiental iminente e desinformação correndo solta. A chegada da era da inteligência artificial também representa um perigo para nós. Afinal, por que somos tão autodestrutivos apesar de tudo o que conquistamos?Nexus olha para a nossa história e avalia como o fluxo de informações moldou a nós e o mundo onde vivemos. Em uma narrativa que vai desde a Idade da Pedra e passa pela canonização da Bíblia, pelas primeiras caças às bruxas modernas, pelo stalinismo, pelo nazismo e pelo ressurgimento do populismo hoje, Yuval Noah Harari nos convida a examinar a complexa relação entre informação e verdade, burocracia e mitologia, sabedoria e poder. O autor explora como as várias sociedades e sistemas políticos utilizaram informações para atingir seus objetivos – para o bem e para o mal –, assim como as escolhas que precisamos fazer num momento em que a inteligência não humana ameaça a nossa própria existência.A informação não é a matéria-prima da verdade, tampouco uma mera arma. Nexus explora o meio-termo esperançoso entre esses extremos e redescobre a humanidade que nos une.
Nós
Em 2021, em plena pandemia, a navegadora Tamara Klink partiu da França com o objetivo de chegar até a costa brasileira pelo mar. Nessa empreitada ambiciosa, contou apenas com a companhia permanente de seu caderno e do barco, Sardinha. À distância, teve o apoio (e também a preocupação) constante da família, dos amigos, de Henrique — conselheiro de primeira hora —, e dos admiradores nas redes sociais, que seguiram a viagem praticamente em tempo real.Em meio a vitórias, fracassos, temores e desvios de percurso, este livro nos convida a embarcar numa jornada corajosa, feita de deslocamentos físicos, mas sobretudo de impressionantes superações psicológicas.
O ouvidor do Brasil
Em 99 crônicas recheadas de informações e histórias de bastidores, Ruy Castro revela o lado humano, crítico e mordaz do fascinante e plural Tom Jobim. Tom Jobim mudou a história da música brasileira com a bossa nova e suas canções, que influenciaram pelo menos duas gerações de compositores. E levou essa música para o mundo. Mas disso os leitores provavelmente já sabem. O que Ruy Castro mostra em O ouvidor do Brasil é um Tom por vezes inesperado e desconhecido, que emerge sob diferentes ângulos em cada crônica. Em conjunto, os textos formam uma espécie de perfil biográfico fragmentado de um dos maiores artistas que o Brasil já teve. O fio condutor de todo o livro é a relação de Tom com o Brasil. Onde quer que estivesse, ele mantinha olhar e ouvido atentos à preservação da natureza, em uma época em que meio ambiente e ecologia passavam longe dos discursos. Com o estilo inconfundível de Ruy Castro, esses escritos revelam também fatos inéditos, histórias de bastidores e informações sobre os grandes personagens da cena musical nos anos 1950 e 1960.
O sentido das águas: Histórias do rio Negro
Grande afluente do Amazonas, o rio Negro se estende por cerca de 1200 quilômetros no território brasileiro. Às suas margens, florestas majestosas abrigam uma diversidade botânica incomparável. Quando as folhas e os galhos caem das árvores, decompõem-se no curso d’água, conferindo-lhe a coloração particular ― um grande espelho âmbar a refletir as copas e o céu. Nesse ambiente em que fantasia e realidade parecem se confundir, a beleza natural estonteante encontra par na variedade cultural igualmente rica e complexa dos povos que o habitam. Resultado de mais de trinta anos de viagens de Drauzio Varella pela região, O sentido das águas é um percurso singular pela bacia do rio Negro, suas paisagens e suas gentes, reveladas aqui pelo olhar curioso e empático do autor.
Oração para desaparecer
Cida, uma mulher sem identidade nem memória, reconstrói pouco a pouco uma nova vida em um lugar completamente desconhecido. Jorge encontra nessa misteriosa estrangeira uma paixão inesperada, que recria o que não parece provável. Do outro lado do Atlântico, Joana é o fantasma de um amor há muitos anos perdido por Miguel. Quando os quatro personagens se entrecruzam no tempo em busca de respostas para as próprias angústias, se deparam também com uma trama fantástica sobre magia, ancestralidade e pertencimento. Oração para Desaparecer é uma das histórias possíveis sobre o amor e seu poder de dissolver as barreiras do imponderável.
São Paulo nas alturas
Entre 1950 e 1960, uma combinação particular permitiu que a cidade de São Paulo fosse palco de uma revolução até então inédita em sua história — a união de arquitetos criativos, empreendedores ambiciosos e a disponibilidade de capital financeiro possibilitou as condições necessárias para que obras icônicas saíssem das pranchetas e ganhassem as ruas da Pauliceia, modificando seu cenário arquitetônico. Sobrevoo sobre projetos como Copan, Conjunto Nacional, Galeria do Rock, edifício Itália, Bretagne, Paquita, entre tantos outros, São Paulo nas alturas apresenta a trajetória de arquitetos e empreendedores que deixaram sua marca na capital paulista, além de lançar luz sobre os erros e acertos nas escolhas urbanas que desenharam a cidade.
Trincheira tropical
Muito antes de o Brasil declarar guerra ao Eixo em 1942, a Segunda Guerra já estava entre nós. Em Trincheira tropical, Ruy Castro reconstitui os dez anos que vão de 1935 a 1945 e descreve como o cotidiano da população foi afetado pelo que acontecia na Europa. Aqui estão o racionamento de produtos essenciais, os blecautes, os abrigos antiaéreos obrigatórios nos novos edifícios, os exercícios simulados de contra-ataques dos submarinos e a infiltração de ideias nazistas e fascistas talvez no prédio vizinho. É quase uma história da vida privada, com a mudança de hábitos provocada pela guerra e a modernização forçada do Brasil, do hábito de tomar Coca-Cola pelo gargalo aos aviões que escreviam no céu — impactos que também foram sentidos na literatura, no jornalismo, na música, no teatro e no cinema.O livro descreve a disputa entre o integralismo, o comunismo e a democracia sob a ditadura de Getulio Vargas e relata como a campanha pela entrada do Brasil na guerra levou o povo para as ruas. Com seu estilo inconfundível, Ruy encerra o livro nos transportando para o front italiano na companhia dos 25 mil rapazes que foram com a FEB (Força Expedicionária Brasileira) para a batalha no além-mar, muitos dos quais nunca tinham sequer visto o mar.
