Lições de Pessoa
Versos do poeta português oferecem um olhar especial sobre “ser”no mundo
Segundo Álvaro de Campos, todas as cartas de amor são ridículas. Que sejam. O amor não é sentimento medido, é desbragado, intenso. Não basta abrir as janelas, como disse Alberto Caeiro, para ver os campos e os rios: é preciso não ter filosofia nenhuma. Contudo, cada coisa a seu tempo tem seu tempo, conforme apregoou Ricardo Reis. Ainda que não sejam vendidos, conselhos, ao contrário do que reza a cultura popular, são sempre bem-vindos. São artífices para apreender os outros e a nós mesmos; lições para conhecer o nosso eu. E quem melhor do que Fernando Pessoa para aconselhar sobre como nosso complexo eu deve proceder perante o mundo e diante do espelho, tão íntimo? É isso que o poeta faz em Conselho (Escrita Fina, 36 pp., R$ 42), livro ilustrado por Odilon Moraes que será lançado hoje, 10/12, a partir das 19h, na Zaccara Livraria (Rua Cardoso de Almeida, 1356, Perdizes, São Paulo).
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