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Uma anatomia da depressão

29 de abril de 2024
1 min de leitura

Michel de Oliveira narra a história de uma professora que está à beira do afogamento psicológico, e que acaba por encontrar alento na escrita de suas dores

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Em Restos de azul (Moinhos, 116 pp, R$ 56), uma professora de língua portuguesa é afastada de suas atividades laborais em decorrência de um grave episódio de esgotamento físico e mental. Esse é o ponto de partida deste romance que apresenta, de maneira melancólica e desconcertante, uma anatomia da depressão, costurada desde fractais da solidão humana cujo espatifamento é apenas interrompido a partir da chegada repentina de um gato faminto que invade a vida e o apartamento ocos da mulher, forçando-a à lembrança de que ela também precisa sobreviver. Michel de Oliveira narra a história dessa professora que está à beira do afogamento psicológico, e que acaba por encontrar alento na escrita de suas dores. Com a escrita, quase diária, deságua os assombros de ser viva e só, e acha forças para agarrar-se às margens que detêm o ímpeto das águas, num movimento tão característico de todos nós, seres humanos: o de perdurar, apesar de todo fim, toda morte.

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Beatriz Sardinha

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