Entre tempo e memória
Os dois elementos formam o eixo de 'Ressuscitar mamutes', uma história narrada com os fios da saudade, às vezes com os do arrependimento
Ressuscitar passados, inventar futuros: é essa a missão à qual a escrita de Silvana Tavano se propõe em seu mais recente lançamento. Em Ressuscitar mamutes (Autêntica Contemporânea, 120 pp, R$ 59,90), a cuidadosa construção de um mapa de tempos, já comum à sua obra, alcança seu ápice, resultando em um trajeto no qual a literatura e a memória caminham juntas como forma de transcender o presente. Como uma colecionadora de espaços “de onde se pode ver o passado e o futuro”, a autora mergulha em um inventário de locais que desafiam a imposição da linearidade para revisitar e reinventar a memória de uma mãe. A partir da perspectiva da mulher madura que se revela narradora dessa história, o ficcional, o científico, o fabulário e o ensaístico se entrelaçam, formando um mosaico que reúne tanto as presenças quanto as ausências de um histórico familiar.
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